Decreto n. 7.567/11

Dec. 7.567/11 – Dec. – Decreto nº 7.567 de 15.09.2011

D.O.U.: 16.09.2011

Regulamenta os arts. 5º e 6º da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, os quais dispõem sobre a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI em favor da indústria automotiva, e altera a Tabela de Incidência do IPI – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere oart. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos incisos I e II do caput doart. 4º do Decreto-Lei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, e osarts. 5ºe6º da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011,

DECRETA:

Art. 1ºEste Decreto regulamenta a redução de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI de que tratam osarts. 5ºe6º da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011.

 

CAPÍTULO I
DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS
Art. 2ºAs empresas fabricantes, no País, de produtos relacionados no Anexo I, conforme a Tabela de Incidência do IPI – TIPI, aprovada peloDecreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, poderão usufruir, até 31 de dezembro de 2012, de redução de alíquotas do IPI, nos termos deste Decreto.

§ 1º A redução de que trata o caput:

I – não se aplica aos produtos de que tratam as Notas Complementares NC (87-1), NC (87-3) e NC (87-4) da TIPI;

II – abrangerá todos os produtos relacionados no Anexo I fabricados no País pelas empresas provisória ou definitivamente habilitadas nos termos do Capítulo II; e

III – estará condicionada ao atendimento dos seguintes requisitos:

a) fabricação de veículos referidos no Anexo I com, no mínimo, sessenta e cinco por cento de conteúdo regional médio para cada empresa, de acordo com definição apresentada no Anexo II;

b) realização de investimentos em atividades de inovação, de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico de produto no País, correspondentes a pelo menos meio por cento da receita bruta total de venda de bens e serviços, excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda; e

c) desenvolvimento de pelo menos seis das seguintes atividades, no País, pela empresa beneficiária, por empresa por ela contratada para esse objetivo específico ou, ainda, por fornecedora da empresa beneficiária, em pelo menos oitenta por cento de sua produção de veículos referidos no Anexo I:

1. montagem, revisão final e ensaios compatíveis;

2. estampagem;

3. soldagem;

4. tratamento anticorrosivo e pintura;

5. injeção de plástico;

6. fabricação de motores;

7. fabricação de transmissões;

8. montagem de sistemas de direção, de suspensão, elétrico e de freio, de eixos, de motor, de caixa de câmbio e de transmissão;

9. montagem de chassis e de carrocerias;

10. montagem final de cabines ou de carrocerias, com instalação de itens, inclusive acústicos e térmicos, de forração e de acabamento; e

11. produção de carrocerias preponderantemente através de peças avulsas estampadas ou formatadas regionalmente.

§ 2º A redução de alíquotas do IPI será definida em pontos percentuais, de acordo com o disposto nos Anexos III e IV.

§ 3º A verificação do atendimento do requisito de que trata a alínea “a” do inciso III do § 1º será realizada no segundo mês do trimestre-calendário, em relação ao trimestre-calendário anterior.

§ 4º As autopeças originárias dos países membros do Mercosul serão consideradas produzidas no País para efeito de apuração do percentual de conteúdo regional.

§ 5º Poderão ser consideradas, para fins do disposto na alínea “b” do inciso III do § 1º, e no § 6º, as despesas em inovação realizadas em conformidade com aLei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, com aLei nº 9.440, de 14 março de 1997, e com aLei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999.

§ 6º Para os fins do disposto na alínea “b” do inciso III do § 1º, o cômputo das despesas com as atividades de inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico será realizado de acordo com o estabelecido em ato conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

§ 7º Até 30 de junho de 2012, as empresas habilitadas que comercializem produtos originários de industrialização sob encomenda de outra empresa habilitada poderão utilizar, para fins de cumprimento do disposto na alínea “a” do inciso III do § 1º, o percentual de conteúdo regional da empresa contratada, incluindo os veículos produzidos sob encomenda.

Art. 3ºNo caso de importações realizadas por empresa habilitada nos termos deste Decreto, a redução de alíquota do IPI aplica-se aos produtos de que trata o Anexo I, quando de procedência estrangeira originários de países signatários dos acordos promulgados pelosDecretos nº 350, de 21 de novembro de 1991, enº 4.458, de 5 de novembro de 2002.

Parágrafo único. O disposto no caput aplica-se:

I – no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador;

II – às importações realizadas diretamente pela empresa habilitada ou por sua conta e ordem;

III – aos produtos que atendam às respectivas exigências dos acordos referidos no caput; e

IV – somente aos produtos da mesma marca utilizada pela empresa importadora.

 

CAPÍTULO II
DA HABILITAÇÃO
Art. 4ºFicam habilitadas provisoriamente, pelo prazo de quarenta e cinco dias, contado da data de publicação deste Decreto, todas as empresas que, no País, fabricam produtos referidos no Anexo I ou contratam a sua industrialização sob encomenda.

Parágrafo único. A empresa habilitada nos termos do caput somente poderá usufruir a redução de alíquotas do IPI se atendidos os requisitos de que trata o art. 2º e se estiver em situação de regularidade fiscal.

Art. 5ºFindo o prazo de que trata o art. 4º, a fruição da redução do IPI fica condicionada à habilitação definitiva da empresa beneficiária junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

§ 1º A habilitação definitiva:

I – ficará condicionada ao atendimento dos requisitos de que trata o art. 2º;

II – obedecerá às instruções fixadas em portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;

III – ficará condicionada à regularidade em relação aos tributos federais e à comprovação da entrega de Escrituração Fiscal Digital – EFD, nos termos do disposto noAjuste SINIEF nº 2, de 3 de abril de 2009, e conforme disciplinado em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil; e

IV – será declarada por meio de ato conjunto dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Fazenda.

§ 2º Os beneficiários da habilitação provisória de que trata o art. 4º deverão requerer ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a habilitação definitiva em até trinta dias da data da publicação deste Decreto.

§ 3º Caso se verifique que a empresa habilitada provisoriamente não cumpria, durante o prazo referido no caput do art. 4º, os requisitos de que trata o parágrafo único do art. 4º, deverá ser recolhido o imposto que deixou de ser pago, com os acréscimos previstos na legislação tributária.

§ 4º O requisito constante do inciso III do § 1º deverá ser atendido inclusive por pessoas jurídicas domiciliadas no Estado de Pernambuco ou no Distrito Federal, não se lhes aplicando, exclusivamente para fins da habilitação definitiva, o disposto no § 2º da cláusula décima oitava doAjuste SINIEF nº 2, de 2009.

§ 5º O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior verificará, a qualquer tempo, o cumprimento dos requisitos de que trata o art. 2º.

Art. 6ºA empresa habilitada poderá usufruir a redução do IPI incidente sobre os produtos referidos no Anexo I fabricados em qualquer de seus estabelecimentos industriais.

Art. 7ºAs empresas que não se beneficiarem da habilitação provisória poderão requerer ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a habilitação definitiva.

 

CAPÍTULO III
DO CANCELAMENTO DA HABILITAÇÃO
Art. 8ºA empresa terá cancelada a habilitação definitiva quando demonstrado que não atendia ou que deixou de atender os requisitos para a habilitação.

Parágrafo único. O cancelamento da habilitação definitiva:

I – será realizado por intermédio de ato conjunto dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Fazenda, publicado no Diário Oficial da União;

II – produzirá efeitos a partir da data de descumprimento dos requisitos; e

III – acarretará a obrigatoriedade de pagamento do imposto que deixou de ser pago, com os acréscimos previstos na legislação tributária.

 

CAPÍTULO IV
DA CUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS
Art. 9ºA redução de alíquotas do IPI poderá ser usufruída em conjunto com os benefícios previstos nosarts. 11-Ae11-B da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, noart. 1º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, e, ainda, cumulativamente com o regime especial de tributação de que trata oart. 56 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.

 

CAPÍTULO V
DAS ALÍQUOTAS DA TIPI
Art. 10.Ficam alteradas para os percentuais indicados no Anexo V, até 31 de dezembro de 2012, as alíquotas do IPI, conforme a TIPI.

Parágrafo único. O disposto no caput não alcança os destaques “Ex” existentes nos códigos relacionados no Anexo V.

 

CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 11.Para os fins deste Decreto, os valores dos insumos importados expressos em moeda estrangeira deverão ser convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente na data de ocorrência do fato gerador.

Art. 12.Os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Fazenda poderão editar atos complementares ao disposto neste Decreto.

Art. 13.Fica instituído Grupo de Acompanhamento composto de representantes dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência, Tecnologia e Inovação, designados por ato conjunto, com o objetivo de monitorar os impactos deste Decreto em termos de produção, emprego, investimento, inovação, preço e agregação de valor.

Art. 14.A Nota Complementar NC (87-2) da TIPI passa a vigorar com a redação constante do Anexo VI.

Art. 15.O Anexo V aoDecreto nº 6.890, de 29 de junho de 2009, passa a vigorar com a redação constante do Anexo VII a este Decreto.

Art. 16.Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

 

Brasília, 15 de setembro de 2011; 190º da Independência e 123º da República. 

DILMA ROUSSEFF 

Guido Mantega 

Fernando Damata Pimentel 

Aloizio Mercadante 

ANEXO I 

 

Código NCM Código NCM
8701.20.00 8704.21.20 Ex01
8703.21.00 8704.21.30 Ex01
8703.22.10 8704.21.90 Ex01
8703.22.90 8704.22.10
8703.23.10 Ex01 8704.22.20
8703.23.90 Ex01 8704.22.30
8703.23.10 8704.22.90
8703.23.90 8704.23.10
8703.24.10 8704.23.20
8703.24.90 8704.23.30
8703.31.10 8704.23.90
8703.31.90 8704.31.10
8703.32.10 8704.31.20
8703.32.90 8704.31.30
8703.33.10 8704.31.90
8703.33.90 8704.31.10 Ex01
8703.90.00 8704.31.20 Ex01
8704.10.10 8704.31.30 Ex01
8704.10.90 8704.31.90 Ex01
8704.21.10 8704.32.10
8704.21.20 8704.32.20
8704.21.30 8704.32.30
8704.21.90 8704.32.90
8704.21.10 Ex01 8704.90.00

 

 

ANEXO IIO percentual de conteúdo regional – CR será calculado mediante a seguinte fórmula:

Valor CIF de autopeças importadas pela empresa de extrazona para produção de veículos no país

C.R. = {1 – _________________________________________________________ }x 100

Receita bruta total da empresa, antes dos impostos, de veículos produzidos no país

Consideram-se extrazona os países não membros do MERCOSUL.

 

ANEXO III 

 

Código NCM Redução(em pontos percentuais) Código NCM Redução(em pontos percentuais)
8701.20.00 30 8704.21.20 Ex01 30
8703.21.00 30 8704.21.30 Ex01 30
8703.22.10 30 8704.21.90 Ex01 30
8703.22.90 30 8704.22.10 30
8703.23.10 Ex01 30 8704.22.20 30
8703.23.90 Ex01 30 8704.22.30 30
8703.23.10 30 8704.22.90 30
8703.23.90 30 8704.23.10 30
8703.24.10 30 8704.23.20 30
8703.24.90 30 8704.23.30 30
8703.31.10 30 8704.23.90 30
8703.31.90 30 8704.31.10 30
8703.32.10 30 8704.31.20 30
8703.32.90 30 8704.31.30 30
8703.33.10 30 8704.31.90 30
8703.33.90 30 8704.31.10 Ex01 30
8703.90.00 30 8704.31.20 Ex01 30
8704.10.10 30 8704.31.30 Ex01 30
8704.10.90 30 8704.31.90 Ex01 30
8704.21.10 30 8704.32.10 30
8704.21.20 30 8704.32.20 30
8704.21.30 30 8704.32.30 30
8704.21.90 30 8704.32.90 30
8704.21.10 Ex01 30 8704.90.00 30

 

 

ANEXO IVRedução para os produtos de que trata a NC (87-2):

 

 

Código NCM Redução (em pontos percentuais)
8703.21 30
8703.22 30
8703.23.10 30
8703.23.10 Ex 01 30
8703.23.90 30
8703.23.90 Ex 01 30
8703.24 30

 

 

ANEXO V 

 

Código NCM Alíquota (%) Código NCM Alíquota (%)
8701.20.00 30 8704.21.20 Ex01 34
8703.21.00 37 8704.21.30 Ex01 34
8703.22.10 43 8704.21.90 Ex01 34
8703.22.90 43 8704.22.10 30
8703.23.10 Ex01 43 8704.22.20 30
8703.23.90 Ex01 43 8704.22.30 30
8703.23.10 55 8704.22.90 30
87.032.390 55 8704.23.10 30
8703.24.10 55 8704.23.20 30
8703.24.90 55 8704.23.30 30
8703.31.10 55 8704.23.90 30
8703.31.90 55 8704.31.10 34
8703.32.10 55 8704.31.20 34
8703.32.90 55 8704.31.30 34
8703.33.10 55 8704.31.90 34
8703.33.90 55 8704.31.10 Ex01 30
8703..90.00 55 8704.31.20 Ex01 30
8704.10.10 30 8704.31.30 Ex01 30
8704.10.90 30 8704.31.90 Ex01 30
8704.21.10 30 8704.32.10 30
8704.21 .20 30 8704.32.20 30
8704.21.30 30 8704.32.30 30
8704.21.90 30 8704.32.90 30
8704.21.10 Ex01 34 8704.90.00 30

 

 

ANEXO VINC (87-2) Ficam fixadas nos percentuais indicados as alíquotas referentes aos automóveis de passageiros e veículos de uso misto, com motor a álcool ou com motor que utilize alternativa ou simultaneamente gasolina e álcool (flexibe fuel engine), classificados nos códigos a seguir especificados:

 

 

Código NCM ALÍQUOTA %
8703.21 37
8703.22 41
8703.23.10 48
8703.23.10 Ex 01 41
8703.23.90 48
8703.23.90 Ex 01 41
8703.24 48

 

 

ANEXO VII(Anexo V ao Decreto nº 6.890, de 2009)

Até 31 de dezembro de 2012:

 

Código NCM Alíquota (%)
8704.21.90 Ex 02 0
8716.31.00 0
8716.39.00 0
8716.40.00 5

A partir de 1º de janeiro de 2013:

 

Código NCM Alíquota (%) Código NC Aliquota (%)
8701.20.00 5 8704.23.90 5
8704.21.10 5 8704.31.10 10
8704.21.20 5 8704.31.20 10
8704.21.30 5 8704.31.30 8
8704.21.90 5 8704.31.90 8
8704.21.10 Ex 01 8 8704.31.10 Ex 01 5
8704.21.20 Ex 01 10 8704.31.20 Ex 01 5
8704.21.30 Ex 01 8 8704.31.30 Ex 01 5
8704.21.90 Ex 01 8 8704.31.90 Ex 01 5
8704.21.90 Ex 02 10 8704.32.10 5
8704.22.10 5 8704.32.20 5
8704.22.20 5 8704.32.30 5
8704.22.30 5 8704.32.90 5
8704.22.90 5 8704.90.00 5
8704.23.10 5 8716.31.00 5
8704.23.20 5 8716.39.00 5
8704.23.30 5 8716.40.00 5

 

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Sobre Luciano Bushatsky Andrade de Alencar

Pernambucano. Advogado Aduaneiro e Tributarista, com foco em tributação em comércio exterior e Direito Aduaneiro de um modo geral, atendendo todos os intervenientes nas atividades de comércio exterior, desde importadores e exportadores, aos operadores portuários. Sócio do escritório Severien Andrade Alencar Advogados. Pós-graduado em Direito Tributário pelo IBET/SP - IPET/PE. Vice-Diretor da Associação Brasileira de Estudos Aduaneiros - ABEAD/Regional Pernambuco. Membro da Comissão de Direito Marítimo, Portuário e do Petróleo da OAB/PE. Mestrando em Direito Tributário pela Escola de Direito da FGV/SP.

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