Palavras que não condizem com atitudes, é o resumo dos discursos dos brasileiros aos outros países

Os interlocutores brasileiros insistem em externar opiniões contrárias à forma como agem.

Dizer que o Brasil não é protecionista, afirmando que idealiza um acordo de livre comércio com a Alemanha, e outros países europeus, é uma falácia sem tamanho.

Isso porque a mesma CNI que insiste em tal afirmação é a primeira a levantar a barreira do protecionismo, albergada pela tese de que “as importações causam prejuízos à indústria nacional”.

Brasil tem interesse em livre comércio com a Europa, diz CNI

Por Juliana Elias e Rodrigo Pedroso | Valor

SÃO PAULO – O Brasil não tem receio de competir diretamente com países europeus e está disposto a discutir acordos de livre comércio com países do bloco europeu e de outras regiões do mundo, defendeu nesta segunda-feira Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, durante o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2013, que acontece em São Paulo.

“Tanto os empresários alemães, como de outros países, podem contar com os brasileiros para discutir fortemente um acordo de livre comércio”, disse. “A indústria brasileira não tem receio de participar com a indústria alemã no mercado internacional.”

Em outro momento do debate, Andrade afirmou que não considera o Brasil um país protecionista. Depois, voltou a dizer que o mercado brasileiro é aberto. “Há muitas outras dificuldades maiores do que esta a serem discutidas entre os dois países para destravar investimentos”, afirmou. Entre esses percalços ele citou as várias exigências técnicas por que passam os produtos brasileiros e de outras origens quando entram em países como a Alemanha e também a bitributação a que é submetido o processo de importação e exportação entre os dois países.

“As empresas têm procurado outros caminhos, como a Holanda, para fugir da bitributação, então precisamos rever de maneira clara e transparente este processo”, disse Andrade. Segundo ele, isso já foi discutido no ano passado entre os governos alemão e brasileiro, mas as negociações não avançaram desde então.

Protecionismo brasileiro é criticado, mais uma vez.

Alemanha critica protecionismo brasileiro e pede acordo bilateral

Por Marli Olmos | Valor Econômico

FRANKFURT – O governo alemão criticou hoje as medidas protecionistas do Brasil e pediu que as autoridades agilizem as negociações para um acordo bilateral entre a União Europeia e o Mercosul.

O ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha, Philipp Rosler, aproveitou a presença da secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério da Indústria e Comércio, Heloísa Menezes, na abertura do 30º Encontro Brasil-Alemanha em Frankfurt, para reiterar o pedido.

“O protecionismo não fomenta a competitividade nem a inovação”, disse Rosler. “Estamos pensando em construir um acordo Europa-Mercosul desde 1999”, acrescentou o ministro alemão.

A secretária brasileira lembrou que o protecionismo também está presente na Europa. “O aumento das exportações da Alemanha para o Brasil este ano é a prova de que não somos um país protecionista”, disse no evento, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.

(Marli Olmos | Valor)