Vale exportará por seus supernavios

Primeiro supernavio da Vale leva minério à Ásia no fim de maio

DA REUTERS

A Vale recebeu neste mês o primeiro de sete navios encomendados ao estaleiro Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering Co, da Coreia do Sul, que partirá pela primeira vez com minério brasileiro por volta do dia 25 do porto de Ponta da Madeira, no Maranhão.

O navio tem capacidade para 400 mil toneladas, 362 metros de comprimento e 65 metros de largura. O total de encomendas ao estaleiro coreano totaliza US$ 748 milhões, segundo o site da mineradora.

O aumento da frota da Vale, que em 2012 contará com 35 navios, impulsiona a retomada da atuação da empresa no segmento da navegação depois de ter vendido parte dos navios da frota Docenave, seu braço do setor, no início dos anos 2000. Nem todos os navios serão propriedade da empresa.

A encomenda de navios a estaleiros coreanos pela mineradora em 2009 foi mais uma pitada no conflito entre o atual presidente da Vale, Roger Agnelli, que deixa o cargo no próximo dia 20, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pregava em seu governo que a companhia investisse mais no Brasil.

Na época, a empresa alegou que os estaleiros brasileiros não teriam capacidade de fazer o grande volume de encomendas e que fez pedidos de rebocadores, barcaças e empurradores, navios de menor porte, à indústria nacional.

A capacidade de transportar mais volume em uma mesma viagem para seus clientes na Ásia, principalmente a China, aumenta a competitividade da companhia frente às suas rivais BHP e Rio Tinto em meio a um cenário de forte demanda.

A Vale divulga seu lucro nesta quinta-feira após o fechamento do mercado de ações. A expectativa é de que o lucro da mineradora mais que triplique no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado com a alta do preço do minério de ferro.

Vale torna-se a maior exportadora brasileira

Vale desbanca Petrobrás e lidera exportações em 2010

Vendas externas da mineradora somam US$ 24 bilhões, 32% acima dos embarques de US$ 18,2 bilhões da petrolífera

18 de janeiro de 2011
Chiara Quintão e André Magnabosco, da Agência Estado

SÃO PAULO – A Vale, maior empresa de minério de ferro do mundo, alcançou em 2010 o posto de principal exportadora brasileira, desbancando a Petrobrás, líder desse ranking desde 2002. Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 18, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as vendas externas da Vale somaram US$ 24 bilhões (valor FOB – Free on Board -, que inclui o custo de produção e transporte até o porto, mas não inclui o custo de transporte até o consumidor), 32% acima dos embarques de US$ 18,187 bilhões da Petrobrás.

Graças a um crescimento de 122,07% em relação ao total exportado em 2009, a Vale respondeu por 11,91% do total das exportações brasileiras e reassumiu um posto que não ocupava desde 1998. A parcela da Petrobrás em 2010 foi de 9,01%, com uma expansão das exportações de 47,78% em relação ao ano anterior.

A Embraer manteve-se no ano passado como a quarta maior empresa exportadora do Brasil, atrás da Bunge Alimentos, de acordo com a Secex. As vendas externas da Embraer somaram US$ 4,159 bilhões (valor FOB), 2,63% acima dos embarques de 2009. A Bunge Alimentos exportou ao longo de 2010 US$ 4,3 bilhões FOB, volume ligeiramente inferior (-1%) ao do ano anterior, quando exportou US$ 4,343 bilhões.

A petroquímica Braskem encerrou 2010 na oitava posição entre as maiores exportadoras do Brasil, com vendas de US$ 2,47 bilhões (preço FOB). O resultado representa uma expansão de 30,49% na comparação com o ano anterior. A Braskem perdeu uma posição ante 2009, para a Samarco Mineração. A companhia controlada pela Vale e pela BHP Billiton saltou na 13ª posição em 2009 para a 5ª posição no ano passado, graças a um salto de 120% nas exportações, para US$ 3,21 bilhões.

As dez primeiras empresas do ranking foram: Vale, Petrobrás, Bunge Alimentos, Embraer, Samarco Mineração, Cargill, ADM do Brasil, Braskem, Sadia e BRF Brasil Foods.

Empresas de bens de consumo

As empresas produtoras de bens de consumo Souza Cruz e Grendene registraram crescimento das exportações no ano passado em relação a 2009. A Souza Cruz obteve uma receita com as vendas ao exterior de US$ 541,613 milhões no ano passado, representando um crescimento de 10,6% sobre 2009. Esse desempenho garantiu à companhia a 58ª colocação entre as maiores exportadoras brasileiras, com uma fatia de 0,27% sobre o total exportado. Em 2009, a fatia era de 0,32%.

Já a fabricante de calçados Grendene apresentou um incremento de 38,65% nas receitas com as vendas ao mercado externo, que somaram US$ 182,003 milhões. A empresa foi a 154ª maior exportadora em 2010, mantendo inalterada sua fatia de 0,09% sobre o total vendido ao exterior.

A companhia têxtil Coteminas, por sua vez, registrou uma queda de 14,15% nos valores exportados em 2010 sobre 2009, que totalizaram US$ 121,672 milhões. A marca levou a empresa a 212ª colocação entre as maiores exportadoras, com uma participação sobre os embarques de 0,06%, ante 0,09% de 2009.

(com Rodrigo Petry, da Agência Estado)